Reflexão 3 min de leitura

Originar-se: territórios de formação

A possibilidade de reexistir através daquilo que nos formou.

A possibilidade de reexistir através daquilo que nos formou.

Oi, que alegria ter você aqui

Hoje vamos falar de “Originar-se: Territórios de Formação”, um recurso para quem deseja olhar para si com profundidade e também uma ferramenta potente para realizar trabalhos com indivíduos, grupos ou comunidades.

Esses dias, um amigo me contou que vasculhava a internet à procura de adesivos para presentear os filhos pequenos. A ideia era simples: um livro de figurinhas para que as crianças decorassem as motocas que ganhariam. O que ele encontrou nos adesivos, no entanto, foi sistema simbólico de dosagem do imaginário.

De um lado, adesivos representando o “Gueto Rosa”: princesas em cápsulas de beleza, decorando castelos que são masmorras da delicadeza e da suavidade. A maior aventura delas é esperar. Do outro lado, a “Zona de Conquista”: meninos pilotando foguetes, escalando montanhas e comandando missões, herdeiros de um universo que lhes foi dado como propriedade.

Esses livros, esses adesivos, não são inofensivos. São manuais de arquitetura social. Eles ensinam, antes da alfabetização, qual é o tamanho do mundo permitido para cada um. Às meninas, o mundo interior, somente a areia da praia para tomar um sol. Aos meninos, o mundo exterior, o mar aberto. É uma segregação sutil, um apartheid de possibilidades disfarçado de fantasia.

Agora, faça um zoom radical. Esses adesivos são a versão infantil de algo muito mais profundo: as lentes narrativas que colocamos em nossos olhos.

Nós enxergamos a realidade através de uma coleção de histórias, valores e metáforas que absorvemos sem perceber, como um gás inodoro e incolor. Nossa identidade pode ser uma colagem de adesivos aplicados por gerações anteriores, acontecimentos e valores que nos passaram.

Nossa identidade não é uma estátua pronta, mas algo mais próximo de um rizoma: cresce para baixo e para cima ao mesmo tempo, entrelaçando-se com tudo o que vivemos, ouvimos e herdamos sem perceber. Raízes invisíveis nos alimentam e, por vezes, nos amarram.

O desafio, então, não é arrancá-las, mas conhecê-las. Para isso, é preciso observar o passado não como um juiz em um tribunal, mas como um arqueólogo curioso: sem culpa, sem a pressa de corrigir. Apenas escavando, tocando os fragmentos, reconhecendo os fios que nos teceram. Muitas das respostas que buscamos estão soterradas nessas paisagens internas.

E quando começamos a enxergar com clareza as raízes que nos sustentam e as que nos prendem algo importante acontece, percebemos que somos feitos de camadas sobrepostas, de tempos simultâneos, de muitos eus possíveis.

Investigar a própria formação não é um exercício de nostalgia, mas antes, um processo de descobrir que podemos ressignificar o que nos foi dado, honrar o que nos fortalece e transformar o que nos diminui.

A jornada de voltar às origens não é sobre regressar, mas sobre reencontrar. É o movimento de quem, tendo recebido um mapa incompleto, se faz cartógrafo de seu próprio território interno. Onde foi plantado certeza, você pode colher perguntas novas.

Se você deseja reexistir a partir de uma investigação sobre tudo o que te formou — nos aspectos culturais, sociais, religiosos e políticos — , a oficina “Originar-se: Territórios de Formação” pode ser esse espaço de escavação sensível.

Um convite para descolar os adesivos que não te representam e, sob as camadas, reencontrar a textura única da sua identidade e das suas potencialidades.

Em outras palavras, a oficina é uma ferramenta para você colocar todas as suas influências em uma mesa e, pela primeira vez, olhar para elas e perguntar: “Isto me serve? Isto me fortalece? Ou é apenas um adesivo velho, dado por alguém que também não sabia que estava apenas repetindo um padrão?”

A oficina está disponível neste link:

https://drive.google.com/drive/folders/1Oj_3nwIKijZmCdek97PWkqG7KVYLCaHK

Baixe, faça a sua viagem e, se desejar, leve esse recurso também para os seus trabalhos.

Até breve e um grande abraço!

Formação Identidade Autoconhecimento
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